sábado, 23 de Agosto de 2014

Pormenor da vista do outro lado da torre da Igreja de S. Vicente.



Pormenor do outro lado da torre da Igreja de S. Vicente.
 2014





Partilha do saber de Luís Dias Costa. - Largo de Infias/S. Vicente.



Partilha do saber de Luís Dias Costa (Memórias de Braga). Largo de Infias/S. Vicente.


PASSEANDO POR BRAGA
LARGO DE INFIAS
CRUZEIRO DO SENHOR DAS ÂNSIAS
Apesar de ser um belo recanto este este pequeno jardim que tem a emoldurado o Cruzeiro do Senhor das Ânsias, que para este local foi removido do Largo dos Penedos, entre as ruas do Chãos e do Carvalhal tem a ensombrá-lo uma placa género publicitária que impede a sua vista a quem, vindo dos lados de Vila Verde, por ali passam e não dão por ele. Só a falta de visão, a falta de bom gosto, com a aquiescência dos serviços camarários, podem justificar este atentado. Não haveria outro lugar para colocar aquele mostrengo? Tem a palavra os responsáveis. Este símbolo da religiosidade das gentes bracarenses de hoje e antanho, e o respeito que nos merece as suas crenças, exigem mais respeito pelo que representa.
A imagem de Cristo Crucificado – o Senhor das Ânsias - é de grande devoção das pessoas de Infias, Monte de Arcos, Areal e outros pontos da cidade.
A cúpula deste cruzeiro-oratório é sustentada por três colunas com capitéis de estilo coríntio. Uma lâmpada de azeite presta a sua homenagem ao Senhor das Ânsias.
Fronteiro a esta placa ajardinada encontramos dentro de um jardim gradeado o
PALACETE ARANTES
Construído no início deste século para o capitalista bra-sileiro Adelino Arantes, hoje (2004) Albergaria. E uma casa tipicamente brasi¬leira com o seu jardim romântico, lago e fachada na qual se destaca o mirante, habitual nestas construções.
A entrada da rua de Infantaria 8 e já como começo da estrada nacional que nos leva a Vila Verde e Alto Minho, deparamos com a
CASA DE VALE FLORES
casa brasonada do século XVII, que ainda hoje está na posse dos descendentes dos seus antigos proprietários. Junto encontra-se, pertença da casa, a capela de
NOSSA SENHORA DO PILAR
que foi dedicada ao Bispo de Elvas, D. Alexandre da Silva, a quem sucedeu na posse, depois da morte, sua irmã D. Natália da Silva, que por sua vez a deixou à Irmandade de Santa Cruz. Em 1687, data que consta da inscrição que está sobre a porta principal, fez dela aquisição por compra João Borges Pereira Pacheco, antepassado dos actuais pro¬prietários.
A Casa de Vale Flores, bem como a capela de Nossa Senhora do Pilar, estão classificadas pelo decreto 129/77, de 29/09/1977, como imóveis de interesse público.
Deixando de lado este nobre palacete, entramos na rua de Infantaria 8 ao fundo da qual deparamos com o hoje
QUARTEL DE CAVALARIA DE BRAGA
digno sucessor de outros regimentos de cavalaria que se cobriram de glória nos Campos de Batalha. Aqui esteve instalado, e para isso foi construído, o Regimento de Infantaria 8, que nas Lutas Liberais, e depois de um problema de quartel, veio de Extremoz, e se fixou definitivamente em Braga, por decreto de D. Maria II. Depois de 1974 passou a ser denominado por Regi-mento de Infantaria de Braga, acabando por ser extinto e passar ser Regimento de Cavalaria
Estamos agora no
AREAL
onde vamos encontrar a
CAPELA DO SENHOR DO ALECRIM
Estranhamento, Albano Belino não faz referência a este pequeno templo e dai talvez se possa concluir que a sua construção se tenha iniciado tardiamente, aven¬tando mesmo a publicação «III Centenário da Igreja de São Victor», com interrogação da sua construção ser do século XIX, e isto por, como diz «Falta de documentação».
No entanto na sua arquitectura singela, parece que os seus iniciadores quiseram ter adoptado um estilo (tardio), pois a sua fachada apresenta sobre a porta um frontão fechado, em ângulo, encimado por um janelão ovalado, com intercepções. No cimo da platibanda uma cruz sin¬gela assente sobre um acrotério quadrangular, no qual se notam uns pequenos frisos. Como remate dos cunhais da fachada vêem-se dois pináculos (um em cada lado). Junto à porta de entrada duas pequenas janelas quadran¬gulares completam o conjunto. A face voltada a Sul ostenta ainda uma grande janela que ilumina o interior que, de notável, apenas tem um retábulo de estilo renas¬centista (tardio), com uma boa talha bastante bem con¬servada mas que não apresenta a riqueza de outros seme¬lhantes por não ter sido aproveitado o ouro para o aumento do seu valor.
O seu retábulo apresenta ao centro um nicho com peanha onde assenta um crucifixo em granito pintado.
A esta pintura deram o nome do Senhor do Alecrim, nome que passou para a Capela e para a Quinta que a rodeia.
Braga, 22 de Março de 2014
LUÍS COSTA